#FreakIndica: Um lugar ao sol – o discurso do alto

Sombras encobrem asfalto, árvores, calçada e avançam até a areia e o mar. Formam um paredão escuro recortado por frestas de sol que levam calor pra cima da água. São as construções altas que cercam beira-mar de inúmeras cidades brasileiras. No topo dos residenciais, coberturas hospedam a classe alta.

Construído com depoimentos de pessoas da elite brasileira, o documentário Um lugar ao sol aproxima as pessoas terrenas ao mundo elevado da vida nas coberturas dos prédios. Traz à vista o pensamento dos moradores de grandes e caros duplex e triplex de São Paulo, Rio de Janeiro e do Recife sobre suas condições: bem-localizados em busca de conforto e da inatingibilidade da má sorte.

Gabriel Mascaro costura falas que se casam quando dizem da sensação de segurança e de poder e que destoam e refletem uma face soberba, a desconexão do cotidiano da maioria. De comentários sobre as conversas das empregadas na cozinha que podem ser ouvidas em um apartamento ao sentimento da moradia - “é a sensação de estar vivo. E até a sensação de que nada disso aqui realmente importa. É você ser lembrado que o próprio imóvel em que você mora não importa”, diz um dos entrevistados -, contam de como é viver naquele lugar.

Um não-lugar para grande parte da população que está no outro lado do abismo social levantado pela produção. Mascaro não joga a divergência na cara, mas sugere, afinal conhecemos nosso país, vivemos a diferença cotidianamente. Do título às cenas, o trabalho do diretor é realmente muito bom. A câmera pega carona em guindastes, no elevador, nas pontas dos prédios, nas praias sombreadas e pára frente às personagens para dar-lhes atenção. Há, ainda, a questão da condição urbana e suas construções inesgotáveis no contínuo ciclo do mercado imobiliário e de luxo.

O que vemos em Um lugar é bem um retrato do prazer, da arrogância, inteligência, dinheiro, bem-estar, exclusão, coexistência de diferentes, grandes e altos espaços cercados por uma profunda pobreza; é retrato do Brasil que a gente não conhece, ouve falar e do que vemos na rotina.

 

#FreakIndica: Elephant – grandioso como um

Gus Van Sant faz um cinema meio minimalista e isso não quer mesmo dizer que seja simples. É de poucos aspectos, mas absurdamente bem feitos. O diretor se debruça em grandiosas proporções de trabalho. Retratado em tomadas longas com câmera que seguem as ações e personagens, o filme traz a visão sediada nas falas e diálogos de seus atores. E, especialmente, no que eles fazem simultaneamente, mas que Gus faz questão de separar para compor sua história. É impressionante notar que a maioria das ações se resumem a uns cinco ou dez minutos do fato real e que se desenvolvem em quase uma hora e vinte minutos de projeção.

Inspirado no conhecido Massacre de Columbine em que dois estudantes atentaram contra a vida de diversos colegas e funcionários de uma escola nos Estados Unidos, Elephant não busca determinar os fatores que possivelmente influenciaram a tragédia, embora tenhamos alguns indícios de distúrbios psicológicos e bullying. Mas, pelo contrário, nos leva para perto da ação para que a gente veja e sinta o clima, o senso rotineiro do colégio, a verdade das conversas das personagens. Elenco, aliás, que foi escolhido entre os próprios alunos da escola que serviu de cenário – não a de Columbine – para o longa.

Elephant faz o registro de um dia decisivo num certo grau de leveza de narração ao passo em que não deixa de transmitir energia (nada é tão suave quando se trata de arquitetura de plano de chacina). Alex e Eric matam Nathan, Carrie, Michelle, Brittany, Jordan e Nicole. Matam mais alguns outros. E um executa o outro. Mas nada disso parece tão absurdo quanto a perfeição do trabalho de Gus Van Sant, que merge caminhos de cada personagem e não se perde nisso tudo.

 

#FreakIndica: O Céu de Suely – onde começa a saudade

Tenho insistido em falar dos filmes aos quais assisto e tenho apreço porque é bem como vejo: não se indica algo de que não se goste. Você não indicaria a dor, a prostituição, a falta, a desilusão ou a música dita brega porque pode não se identificar com esses aspectos. Eu gosto deles também na perspectiva do diretor Karim Aïnouz: em O Céu de Suely, de 2006. E indico.

O filme abre com uma sequência filmada em Super-8, em que Hermila diz “Mateus me pegou pelo braço e disse que ia me fazer a pessoa mais feliz do mundo. Me deu um CD gravado com todas as músicas que eu mais gostava. Ele disse que queria casar comigo. Ou então morrer afogado” e a música de fundo que grita “tudo o que eu tenho, meu bem, é você. Volte logo, meu amor”. Tudo isso parece anunciar o breve retorno a sua cidade e o aguardo por Mateus, seu amor, que retorne.

Seguindo sua vida, ainda que amargurada em certos tons, decide rifar primeiramente um litro de uísque. Quando descobre que Mateus se mudou sem dizer para onde, ela resolve colocar no jogo uma noite no paraíso com a personagem de si mesma, Suely. Hermila e Suely não entram em conflito, ambas lidam bem com suas propostas de vida. Seu outro ‘eu’ talvez apenas exista para suprir a necessidade – e dificuldade – financeira do momento. Hermila segue sendo mãe de Mateuzinho, e neta, sobrinha, amiga. E vira amante. Reencontra João e vive com ele o que parece ser um relacionamento perdido no tempo e na distância, ainda que sem profundidade visível. Até a cena final em que corre em sua moto ao encontro de Hermila e volta para onde “começa a saudade de Iguatu”.

Sua única companhia é a música – sensacional - Somebody Told Me de Lawrence que compõe a trilha sonora simples e pontual d’O Céu. Simples e bonita como Tudo Que Eu Tenho de Diana e alguns forró e tecnobrega, caracterizando – e nunca estereotipando – as locações, embora o filme de Karim não seja de ambientações, mas de emoções. Penetrantes como o sol que arde as peles e rostos do Ceará retratado no filme e o sol sereno do final de tarde que leva Hermila e João. Bem como o céu azul, denunciado pela lente aberta que deixa chegar perto uma saudade da protagonista de apenas franja loira que se vai para ser outra, para viver uma alter-Suely. Ou para recomeçar sendo Hermila.

 

#FreakIndica: Eu não quero voltar sozinho – uma visão diferente

Volto a tratar do ambiente escolar, mas com uma nova narrativa. Léo é portador de deficiência visual. Giovana é sua melhor amiga. Gabriel é um novato na sala. De relações entre os colegas, surge uma nova amizade que envolve os três, mas o foco se volta para um romance talvez mais polêmico – por conta dos valores heteronormativos – do que um triângulo amoroso: Léo ama Gabriel.

Ao tratar de uma relação homossexual em mais um trabalho (a primeira experiência com curta em 35mm veio em “Café com Leite”, de 2007), o diretor Daniel Ribeiro buscou a simplicidade de narração pra alcançar a profundidade da discussão do tema. Pela censura do filme (versão em HD do vídeo no final do texto) em um festival no Acre, pela fotografia bem trabalhada, pela verdade na construção das personagens, pelo senso cotidiano e próximo das situações, Eu não quero voltar sozinho acerta muito.

A pergunta "você foi sempre assim?" que Gabriel faz a Léo pode emitir diversas questões embora no diálogo entre as personagens se revele a curiosidade sobre a cegueira. Da mesma forma, a resposta "desde que eu nasci" direciona também pensamentos para a abordagem da discussão acerca da dita 'opção sexual'. Sensível como a música Janta de Marcelo Camelo, que compõe a trilha sonora, é o trato das emoções no filme: a descoberta da paixão, a coragem para se abrir e o susto leve seguido de felicidade ao notar que, mais uma vez, não estava só. Nem precisaria seguir sozinho independente do tipo de visão.

 

Daniel Radcliff pode viver homossexual em novo longa

Segundo o site Twish, Daniel Radcliff poderá interpretar o poeta homossexual Allen Ginsberg no longa Kill Your Darlings.

O filme contará a história de três escritores famosos da década de 50: Ginsberg, Jack Kerouac e Lucien Carr.

Daniel revelou há pouco tempo atrás que poderia estar envolvido em um papel homossexual nas telonas em 2012, mas por enquanto, os representantes do ator não mencionaram nada.

"Kill Your Darlings" será dirigido por John Krokidas e trás Chris Evans e Ben Wishaw no elenco.

Ainda não há previsão de quando as filmagens começarão.

 

 
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